É como se, ao vestir as mesmas roupas de antes, o tempo voltasse a ser o mesmo e tudo recomeçasse do zero…

É como se eu vestisse as mesmas roupas porque elas ainda possuem o mesmo cheiro de antes. Como se esse perfume antigo embalasse toda uma cronologia de fatos e a vida fosse rebobinada até aqueles momentos perdidos. Tudo retorna àqueles instantes. As angústias se reafirmam, as confissões se repetem, os segredos reaparecem, o amor se dissolve. A vida se desfaz como em uma tempestade de verão, mas ainda há algo que permanece — algo que nos força a criar novos caminhos.

Em poucos passos parados, os mesmos pensamentos voltam à tona. As mesmas decisões reaparecem, prontas para se lançar adiante, e quase caímos na tentação de mudar o destino nessa nova fase de alienação. Como num susto, os olhos lacrimejam e o coração dispara. O alarme toca, o suor empapa a camisa, o sol beija a face molhada e o relógio pisca “12:00” freneticamente. Um trovão fora de ritmo ressoa, e já sofremos por antecipação ao perceber que o presente é ainda pior que o desejo de morrer no passado…