Escrevo, em forma de confissão, aquilo que realmente me tira o sono por não conseguir compreender…
A inveja é um sentimento curioso, para não dizer absurdo. Dizem os maestros que ela nasce do encontro entre a admiração e a frustração, como se a alma se visse diante de um espelho que reflete o que poderíamos ser — e, por alguma culpa de um destino indecifrável, não somos. A inveja anda de mãos dadas e entrelaçadas com a comparação, mesmo sendo irracional comparar algo em meio a tantas diferenças.
Chega o momento em que olhamos para alguém, percebemos algo “diferente” e logo achamos que isso falta em nossa vida. Julgamos, diminuímos, amaldiçoamos e, muitas vezes, desejamos até coisas piores, por algo que, na maioria das vezes, nem cabe em nossa história. Em vez de admirarmos as diferenças e como elas evoluíram para algo bom, desejamos o mal.
E aí começa o ciclo vicioso que não tem fim… Ao desejarmos o mal e ele não se concretizar, amaldiçoamos o universo por dar sucesso aos “que não merecem” e amaldiçoamos a própria sorte por não brindar os “necessários”. No entanto, falta a percepção básica de que, quanto mais amaldiçoamos os outros, mais continuamos na nossa roda de hamster, acelerando a todo vapor sem sair da jaula em que vivemos — não importando a velocidade ou o esforço aplicado… ficamos sempre no mesmo lugar, enquanto o resto caminha cada vez mais para longe.
Qual o resultado? A inveja revela mais sobre quem sente do que sobre quem é o alvo. Ela aponta para o eterno vazio interno que carregamos e que talvez nem soubéssemos que existia.
Há quem defenda que podemos combater a inveja com aceitação ou autoconhecimento. Eu prefiro o lado radical: eliminar do caminho e da vida aqueles que correm em sua roda de hamster e amaldiçoam todos os que não pensam e agem como eles, por simplesmente não conseguirem enxergar que todos temos problemas — mas alguns enfrentam a vida (e suas diversas aflições) de maneira diferente, sem lamentar ou amaldiçoar o resultado (ou “a sorte”) alheia.
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