A madrugada esconde as cores dos olhos comuns, mas o romântico enxerga sua beleza completa e inspira-se de uma aquarela indefinida…

A madrugada é onde ele canta sua poesia, suplica pelo seu amor e idolatra suas essências verdadeiras. Sem a luz, faz o seu coração brilhar para guiar as emoções e todas as confissões do seu interior. Como um rádio antigo, precisa alinhar todas as emoções para compreender o que sente. São diversas frequências com ruídos ou o silêncio constrangedor, até achar o exato momento que encaixa no sentimento poético. Dali, extrapola suas linhas tortas, cria suas imagens guiadas pela pura emoção interior e sorri ao se encontrar exausto de tanto poetizar…

O sol arruma a sua bagunça. Põe em ordem coerente suas súplicas e sonho para que a poesia ganhe corpo e, feito o seu mundo concreto, espera o novo ciclo da madrugada para sonhar, amar e ser mais do que sempre foi: um poeta desgarrado…