Ele guarda o lugar da frente com a esperança que seja ocupado rapidamente. Ele carrega um sorriso fácil e sempre uma palavra leve nos lábios…

Gosta dos fins de tarde, porque sempre cantarola que o fim de tarde poderia vir com você. Não sabe os acordes que a música pede, mas sabe o quanto é difícil encontrar o ritmo certo para que a vontade seja feita. Ensaia discursos profundos no espelho e sabe que se o espelho pudesse repetir tudo, o peso das suas palavras o faria flutuar para longe. Esse foi o sonho dele na última semana. Ele voava pela cidade com balões de poesia e coloria o caminho aos aplausos das pessoas que o avistavam.

Piscou algumas vezes ao atravessar a rua e recebeu um sorriso de resposta. Achou graça das frases da camisa amarela que cruzou seu caminho – Talvez se traduzisse para o certo, seria incorreto, mas riu mesmo assim. Um cachorro na esquina latiu ao avistá-lo e se assustou ao vê-lo ajoelhar para rir mais. Uma senhora resmungou algo, mas no fim ele viu a leveza no seu andar.

Ele subia e descia as ladeiras necessárias, mas o que procurava mesmo era ocupar a cadeira da mesa de jantar. Ela ainda estava vaga e ele sempre fazia comida para mais de um…