A insônia guia um tiro certo, guia um mar em respaldo a clareza da mente. Guia de forma sucinta a mente por entre vielas que já foram visitadas…

A insônia completa o jogo, reacende o desejo e encobre, com todas as forças, a vontade crucial de se voltar para casa. Depois de um dia, de uma semana ou até um momento, ela se torna personificada naquele rebento que é seu fruto de alimento. Ela se torna o momento oportuno, a vaga pretendida, a recompensa da promessa… Em canos com formas, em espirais difusas, no doce negro acre e no branco pálido de um opaco futuro. Ela guia em linhas tortas, o que deveria ser concreto e sem graça. Ela mostra uma ironia de funeral, como se fosse uma pétala perfumada no verão conturbado. A única coisa que ela não faz é falar…

Ela não te informa seu progresso. Ela não consegue pronunciar frases interrompidas. Não conseguimos definir a sua voz, se é doce ou pesada… Ela simplesmente vem, dita as coisas em sua mente e fica ali pesada o suficiente para ser notada e jamais esquecida…