A aflição foi o início da conversa entre eles. Uma súplica por parte dela e uma tranquilidade transparente por parte dele…
Eles jogaram conversa fora e ele achava graça da bagunça que se criava ao seu lado. Ele ouvia música e ela um filme que ele jamais escolheria, mas era uma parte do oposto de mundo que eles viviam. As conversas eram pausadas, como uma urgência temporária que se esvaziava pela pura fragilidade que a posição dos dois pedia. O almoço transcorreu normalmente, com algumas outras piadas e curiosidade banais no curto contato. Até que o vinho apareceu em cena…
Ela começou a achar graça da tranquilidade dele e inclinava a cabeça a cada vez que o ouvia suavizar seus maiores temores. Ele começou a brincar com um contato que ela não evitou e gostou. No meio do filme, ele a convidou para uma massagem e liberar a tensão de tudo que ela tinha passado. Ela relutou uma vez, mas ao jogarem fora a terceira garrafa, ela cedeu e elogiou o toque dele, pois relaxava ela em vários pontos diferentes. Ele foi descobrindo todos esses pontos, porque a quinta garrafa o fez perder a vergonha e a noção do momento…
Eles começaram a se beijar após o quinto copo, o gosto de vinho sobressaiu a falta de pudor e traição que beirava seus contornos. Eles tinham o sono dos demais como companhia e a cobertura de um lençol simples por cima dos seus corpos e eles ficaram ali, acariciando o corpo do outro apenas para entender a situação toda. Eles sorriam e não se importavam. Os dois dormiram juntos como se fossem uma coisa só e os outros passageiros acharam estranho, mas não era o problema deles e tudo ali se dissolveria após a esteira de bagagem definir o fim daquele momento, porque eles nunca mais iriam se ver ou esbarrar no mundo…
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