“Por que caminhas sempre em círculos?” foi a pergunta que me acordou no meio de uma madrugada fria qualquer…

“Como? Nunca andei em círculos!” foi a resposta que em meio ao sono consegui balbuciar, mas sem quase terminar ouvi sua voz ácida e alta

“Andas em círculos há anos. Sempre buscas um amor para que te complete, uma mão para afogar sua lira e uma bela para endereçar essas pobres rimas baratas. Andas em círculos há tanto tempo que já se esqueceu como é se perder no pretérito e tentar buscar uma nova razão e outras formas de escrever sobre o mesmo amor. Andas em círculos sem saber o fim de um dia ou de uma paixão cruel. Andas em círculos, pois acha que está sempre em busca do mesmo amor, mas você já amou tantas vezes, de tantas cores, que ficou viciado no sabor sem conclusão. Ficou viciado nesta vida cíclica que esqueceu de olhar a nova primavera brotando e os novos raios de calor vivo que explodem no orvalho. Andaste tanto em círculo que alucinas cada nova fração e esqueceste de ouvir vozes sábias e conhecidas, porque tens medo de enxergar seu erro. Tens medo de vislumbrar uma possível redenção. Tens medo de achar que não amando, não viverás.

Tu és um tolo por viver deste ciclo de amor. Vá construir cruzamentos e se perca em retas opostas, descubra um novo ar e esqueça deste viciado que tomou teus poros. O amor existe fora disto e não se alimenta apenas destas inaudíveis ações… Ele vive da vida e a vida é um coletivo interessante demais para se gastar construindo círculos. Acorde!”

E assim o sol banhou minha testa suada da manhã quente de verão.