Adolescente ainda, virgem de ideias e buscando um passeio comum, escrevi meu primeiro verso…

“Você pode ter ido embora, mas ficará sempre uma lembrança sua comigo que jamais esquecerei. Pode coisas acontecer, o tempo passar, mas eu jamais desistirei de você, tudo isso porque te amo”.

Não me recordo como era sua grafia, mas devia ser aflita, com toques de tensão e uma profundidade no olhar por saber que algo próximo do amor tinha passado em minha vida. Lembro que na época um mesmo refrão foi tocado repetidas vezes, com imagens habitando minhas ideias e minha aflição pelo silêncio imposto, pela distância sempre presente. O tempo passou e as lembranças ficaram, mas eu desisti de você, na verdade desisti de buscar. Tive novos amores, ou algo próximo disso. Tive de verdadeiras madeixas até bruscas construções simples. Mas não adiantava buscar você, tentei tocar o mesmo refrão de antes, mas você já estava longe e as imagens mudaram, o toque mudou e toda aquela minha inocência estreita, se fez velha demais para seguir com a tentativa.

Meus olhos tentaram reviver as passagens, mas a estrada nem de longe lembrava a antiga. Talvez infantil demais, talvez diferente demais. Ainda tenho a frase impressa, pois foi o meu primeiro suspiro de vida, mas cada vez que a vejo, provo a mudança mais brusca e sentida. Provo que nada dura para sempre, nada de pureza tem o dom de continuar vivendo, se o amor não laçar o momento. Não existe refrão perfeito, se as cores que ele toca não são irmãs para satisfazer o momento. Do meu primeiro suspiro, o que restou foi apenas o sabor perdido de uma tarde de verão…