Sinto seu suor banhando minha sombra em curtos espaços. Ouço sussurros esfregando as paredes do meu caminho…
Vejo uma aflição botar em um sorriso postado pela manhã cinza. Turbulenta, malvada e com poucos rabiscos. Ela toma goles longos de um pequeno copo vazio, se alimenta nas garfadas de incertezas que as curvas me trazem. Ela tem seu hálito fresco por conta de todas as rimas que deixei em branco na estante de meu outro cômodo. Não possui letras nas suas canções diárias, mas define o ritmo alegre e melancólico que atravessa as noites claras e despertas. Ó Solidão que me confunde com a sua gêmea Angústia e me impede de dar meus passos largos para o vale dos libertos. Ela brinca com seu pincel que tece verdades e tece destinos, os meus destinos. Brinca de aumentar, como se fosse uma borracha, os espaços de meu coração para me ver cada vez mais dependente de minhas poesias, cada vez mais envenenado de amor, para ela ter seu alimento predileto. Os dias passam e ela se alimenta mais e mais e eu vou me apaixonando pelo orvalho deixado pela menina de mechas douradas, a mesma menina que virou a esquina e nunca mais repetiu o caminho…
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