Cacos são fragmentos de sonhos que foram construídos pelo trabalho e destruído pela manipulação…

Eram cacos que se espalhavam na rua em diferentes formas e diferentes locais.

Eram cacos que desmanchavam alegrias e aumentavam as aflições.

Eram cacos e pedaços daquilo que um dia foi no passado.

Eram cacos que mostravam uma parte do que já fora chamado de vida.

Uma criança olhava para os cacos e tentava adivinhar o que eles representavam. Perguntou ao seu pai se poderia levar para casa e tentar colar para criar um brinquedo novo.

O pai disse que tudo estava acabado e nada poderia ser feito ali.

A criança, em sua inocência, disse: “Mas pai, se eu colar e imaginar algo, não posso criar algo?”

E o pai respondeu: “Filho, o que se quebra nunca mais volta. É algo eterno”

E eu o rapaz sentado no chão falou para os dois: “Assim como nós. Somos corpos despedaçados e, mesmo que colássemos lembrando nossa origem, nunca ficaremos igual. Uma vez quebrado, nunca mais voltaremos a ser o que já fomos…”