Era uma estrada complicada demais para descrever e atravessar. As marcas marcavam profundamente durante um tempo maior que o normal…

Ela não iria ficar para sempre. Ela iria embora assim que a estação passasse e a rotina fosse pintada da mesma cor por duas semanas. Era esse o limite e ela nunca havia escondido isso de ninguém. Ela suplicava pela liberdade e ansiava por uma estrada nova. Ela era daquelas que morreria por uma folha em branco, porque já havia se cansado de tentar arrumar o que não havia razão e sabia que os rabiscos atuais iriam continuar ali – quase intactos – por mais que ela tentasse criar mais trilhos. Ela aprendeu que virar a página e recomeçar do zero, era o melhor presente da vida, porque era a prova que ela continuava viva e preparada para recomeçar quantas vezes ainda fosse preciso.

Ele se apaixonou por tudo isso. Pela sua volatidade, pelo seu desprendimento, pela sua intensidade, pelos seus anseios, pela sua alegria e até pelo seu curto tempo por ali. Ela era o mix perfeito entre carinho e superficialidade. Ele se apaixonou porque ela disse que iria embora e abandonar tudo para sempre. Ele se apaixonou porque ela foi a primeira pessoa na sua vida que foi completamente sincera…