É uma tarde nublada de quarta-feira e as garrafas se acumulam na pia, ele fica olhando por alguns minutos sem se lembrar de quando foi que as tomou…

Ele perambula pelos corredores criando histórias e inventando diálogos invisíveis. Ele tenta forçar situações para parecer mais preparado para os embates que não existem. Ele foca sua visão no fundo do copo, porque se lembra de alguma poesia que fala disso, mas não encontra nenhuma inspiração ou razão plausível para criar um limite próprio.

Ele canta as músicas de sempre, mas encontrando diferentes destinatários emocionais. Ele verifica seu telefone várias vezes na hora, mesmo tendo a certeza que ninguém enviará nada. Ele deixa a televisão ligada quando o pedido da pizza chega, para que o entregador pense que há mais gente na casa.

Ele sorri para as pessoas na rua, criando uma máscara sociável aparente, mas tem medo que elas descubram seu mundo monótono, monocolor e totalmente solitário. Cheio de ilusões, faz de contas e poesias quebradas pelo chão áspero que ele tanto sangrou…