A folha em branco demonstra a falta de ideia, o abismo crescente do medo de nunca mais preencher uma história…

É um relógio silencioso, porém notável no tilintar dos minutos crescentes. Começo tentando escrever palavras soltas, esperando conexões de algo que eu não sei como funciona, mas que surge do nada e cria as poderosas histórias e fantasias de sempre. A espera é praticamente eterna, pois nada muda. Não existe o estalo do início, muito menos um pseudo enredo se formando na cabeça.

Abro uma cerveja, migro para o vinho, vou para a vodca e me encontro em um vácuo ébrio que me assusta e deprime, mais que eu esperava. Passam semanas, chegam meses e as poesias antes criadas começam a soar normalmente velhas e estáticas demais para se criar continuações. Sonho acordado, mas não consigo transcrever as imagens de forma ordenada.

Me perco e me sinto morto. Sem ideias. Sem poesia. Sem a vida que eu tanto quis cultivar e agora parece seca, frágil e quebradiça como eu jamais desejei…