O relógio marcava 3h45 da manhã e ela servia a última dose de vodca com suco de uva enquanto me beijava leve e plena…

“Um dia vou sentir saudade disso…” ela disse depois que paramos o beijo e provou sua bebida

“Da vodca ou do suco?” eu perguntei com o meu deboche de sono que há muito queria dormir

“Da gente assim. De poder estar aqui com você. De te sentir meu. De ser tua.”

“A gente tá terminando nosso esquema às 4h da manhã? É sério isso?”

“Não. Nem penso nisso agora, mas vai acontecer né?”

“Se eu puder dormir antes que isso ocorra, vou ficar bem melhor…”

“Eu amo ficar até tarde com você. E amo mais ainda quando você acorda com toda essa energia matinal e me faz gozar horrores… Saiba disso, ok?”

“Se eu não dormir, vai ser difícil ter energia…”

“Deus te fez perfeito para dormir pouco e acordar com um tesão MUITO bom, Má. Nem tente dizer o contrário…”

“Pode ser… Eu sou assim mesmo. Mas, pelo que disse, você gosta, mas não muito. Senão, não teria dito que sentirá saudades…”

“Eu quero muito você. Eu fui uma idiota antes, mas desde que eu entendi o teu ritmo e a gente conseguiu juntar esses dois mundos caóticos, eu nunca me senti tão bem na minha vida.”

“Você tá me pedindo em namoro?”

“Não.”

“Logo…”

“Eu só quero me sentir bem e me sinto bem com você.”

“Você nunca aparenta, mas agora eu entendi que você está um pouco bêbada…”

“Eu estou bêbada há horas. É um dos raros momentos que eu sou sincera meu lindo. Aproveite sem restrições”

“Você sabe o quanto eu esperei por isso. Tive medo para caralho e sofri muito quando tu evaporava de qualquer possibilidade da gente ficar junto.”

“Eu sempre senti que a gente tinha uma química muito forte. Eu só não tinha como administrar aquilo no início. Eu tinha saído do meu ex e emendei o outro esquema muito rápido. Os dois foram loucos e eu pensei que você também seria…”

“Tu não pode tá falando do teu ex e de mim na mesma categoria…”

“NÃO! Mas na minha cabeça, naquele momento, tudo iria ser do mesmo jeito. Ele não era escroto no início. Nem o esqueminha lá… Eles eram legais, funcionava muito bem e você estava com a mesma cena repetida. Eu precisava de um tempo…”

“E agora que está bom, você prefere outro esquema?”

“Eu quero ser mãe, Má. E eu sei que você não quer isso. A gente já tem uma certa idade, e pra mulher é mais sensível isso.”

Ficamos em silêncio por um momento. Ela terminou o copo, pousou na mesa ao lado do sofá, se esticando toda para se manter ainda no meu colo. Depois me beijou novamente, com ardência, necessidade, força. Eu correspondi todas as investidas, porque não havia mais o que falar ou fazer. Ela me conhecia mais do que qualquer outra pessoa e eu também a conhecia. Não adiantaria mais discutir ou criar situações. Viveríamos o presente, até essa insana corda que nos rondava de realidade, apertasse o nosso pescoço.

Acordei próximo das 8h30 da manhã para ir ao banheiro e voltei para a cama. Ela ainda dormia profundo e fiquei ali olhando cada detalhe daquela cena. Lembrei de um antigo amigo que me disse uma vez “Você sabe que a mulher é a certa, quando você olhar ela dormindo e ela continuar sendo a pessoa mais linda do teu mundo.” – e ela era muito linda dormindo. Tanto quanto acordada. Mas, acho que aquela frase não servia 100% para todas as pessoas. Infelizmente.

A beijei nos lábios, ela se mexeu e me abraçou e eu a beijei em cada centímetro de corpo. A desnudei com beijos, chupei cada um dos seios, fui baixando pela barriga e a chupei como sempre fazia. Transamos leves como sempre e eu sorria a cada vez que ela gozava.

“Que horas são?” ela perguntou cerca de 30 minutos depois de ter acordado

“9h e pouco… Talvez”

“Meu deus. Você está pronto depois de menos de 5 horas de sono. Viu como estava certa?”

“Esse é teu problema meu amor, você nunca erra.”

“É mal de signo, não?”

“Com certeza…”

“Eu acho que consigo um pouco mais…”

E recomeçamos tudo novamente.

E aquela foi a nossa última transa. Saímos outras vezes, mas ela nunca mais dormiu em casa. Nunca mais quis viver aquilo. E ela estava certa no final das contas. Ela sempre esteve…