Ela se sentou no único ponto que o sol batia. Era ainda uma tarde de verão e a sua pele já estava dourada…

Abriu um livreto em branco, pegou sua caneta e seus olhos começaram a varrer o vasto terminal. Quando enxergava algo que valia a pena, segundo sua própria intuição, criava um verso. Não havia conexão aparente com o verso seguinte – eram soltos e livres, como as imagens que iam aparecendo à sua frente e desapareciam para sempre no próximo segundo. Não havia rima, mas ela criava de maneira que os versos se intercalavam dinamicamente, envolvendo as imagens antes caóticas, em uma harmonia palpável.

Ali ela ficou por mais de hora. Talvez tenha escrito três páginas completas sobre aquele dinamismo que ela nunca se cansava, mesmo sendo uma viajante rotineira. Talvez tenha apenas escrito suas visões aleatórias. Talvez ela tenha criado todo um novo enredo que ela guardaria para um futuro onde cansasse de versos, e resolvesse dar vida real para os fragmentos criados.

Se levantou quando faltavam dez minutos para seu voo. Fechou seu livreto, colocou na mochila e saiu sorridente tendo a certeza que ninguém a notava e ninguém fazia ideia de como a sua lira inspiradora continuava cuidando de seu coração, acalmando seus medos e aflições que tinha em voar para seu próximo destino…