Era ainda uma cena que me impactava. Depois de quase uma década, finalmente estávamos frente a frente conversando sobre banalidades de uma vida comum…
Escrevo muitos talvez nas linhas abaixo, porque não consigo chegar a conclusões. A cada novo pensamento, uma centena de possibilidades brotam e me confundem ainda mais…
Depois dos 60 anos, suas noites ficavam cada vez mais curtas, seu sono cada vez mais leve e sentia os suspiros de vida se esgueirando a cada nova manhã…
Se falamos que cada rua tem um casal característico e um lobo solitário, obviamente vai ter aquela “velha” que passa boa parte do dia na varanda olhando tudo e tentando descobrir um pouco da vida de todo mundo…
Talvez fosse melhor falar “O louco que de louco nada tem”, porque conhecemos muitos lobos solitários em nossa vida. Talvez na rua que você more, tenha um ou dois desse “exemplar”…
Eu tentei descentralizar os principais da Histórias da Rua da Ladeira, tornando cada parte única e independente, porque acreditava que cada um tem suas próprias ladeiras em vida. Porém, haviam duas pessoas que para mim eram o norte daquela trama, por sua dinâmica e tensões causadas na rua – Era o Casal.
Toda história sempre começa com uma pequena, quase minúscula, faísca que te traz toda a ideia, cenário, personagens e trama. A Rua da Ladeira jamais escaparia dessa fórmula tão manjada e conhecida…
Mesmo quando o início parece cena de filme, a trama ganha caminhos tortuosos e cedo ou tarde, acabamos voltando às nossas origens, orgulhos e medos…
Eles se beijaram no silêncio do cartão postal da cidade. Não haviam testemunhas naquela noite, mas ali foi o primeiro beijo que deu início ao confuso relacionamento criado…