Ele estava na varanda do hotel, fumava um cigarro de forma pesada e pensativa; os olhos apontavam para baixo, mas era perceptível que ele estava distante dali…
Cada visita era a mesma rotina, ela simplesmente irradiava a alegria de ver o sol novamente e não se importava com o calor ou a umidade que beirava o quase insuportável…
Quando ela terminou a frase, parecia que ela iria desabar. Era como se suas forças e convicções estivessem evaporado da sua vida…
Meu sangue gelou quando ela se aproximou novamente de mim. Ela sorria meio sem jeito e talvez fosse a primeira vez que a via daquela maneira…
Era ainda uma cena que me impactava. Depois de quase uma década, finalmente estávamos frente a frente conversando sobre banalidades de uma vida comum…
Escrevo muitos talvez nas linhas abaixo, porque não consigo chegar a conclusões. A cada novo pensamento, uma centena de possibilidades brotam e me confundem ainda mais…
Depois dos 60 anos, suas noites ficavam cada vez mais curtas, seu sono cada vez mais leve e sentia os suspiros de vida se esgueirando a cada nova manhã…
Se falamos que cada rua tem um casal característico e um lobo solitário, obviamente vai ter aquela “velha” que passa boa parte do dia na varanda olhando tudo e tentando descobrir um pouco da vida de todo mundo…
Talvez fosse melhor falar “O louco que de louco nada tem”, porque conhecemos muitos lobos solitários em nossa vida. Talvez na rua que você more, tenha um ou dois desse “exemplar”…