Se este texto tivesse um som, seria vazio. Um som sem nada. Um som de silêncio. Um som de falta.
Mesmo os sons habituais faltam nessa descrição. Eles se perdem pelo imenso local desprovido de vida. Quanto maior a sua dimensão, maior a solidão que mora por entre suas dimensões.
Tento dar cor viva para um parágrafo novo, tento experimentar os novos odores e novas paisagens que desenho em meus sonhos, mas está tudo vazio. Caminho sozinho criando diálogos, que se perdem no ar criando formas irreversíveis que não se assemelham com o presente. Tento fugir para não retornar ao vazio. Trago vinho nas mãos para esquentar um relacionamento inexistente. Tento buscar um contato, um auxílio qualquer. Tento criar uma piada para ouvir a risada distante. Tento, apenas, viver.
O outono se encerra, o horário avança, o ônibus atrasa e a vida desanda. A pressão e a amargura aumentam por não verem o resultado. Qualquer resultado. Alguma mudança. Alguma chama de novidade que traga um mapa diferente para trilhar. Qualquer coisa.
Angústia.
A solidão se apodera. Ela tira a cor dos olhos, a máxima de um olhar que sempre tentou enxergar o melhor de tudo. A contemplação de um sonho, em meio ao vendaval perverso, que ainda supero sem não saber como tirar proveito ou atingir o alvo correto.
O frio aumenta, a embriaguez acelera, a fome se cala e toda essa angústia acalma, apenas para que, juntos, com todas as dores existentes, possamos sonhar com o que poderia ser diferente. Minha companhia se resume a nada, não tem peso no sentido figurado, mas arrebenta o corpo com seu peso real.
Solidão.
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