Category Poesia

Não apenas de uma parte se faz uma música…

A distorção que uniu os corpos separou os desejos e a racionalidade. O refrão chegou forte e encantou, mas os lábios permaneciam separados…

Eu queria o seu grito mais profundo e sincero, mas não posso me responsabilizar pelo resultado de toda a confusão criada. Talvez a gente pule junto, você puxe meu cabelo e eu segure sua cintura com força, em um beijo que será de virada de página. Seria um convite, mas o desejo é recíproco? Os lábios continuam separados…

Eu começo a enlouquecer e sou obrigado a seguir o ritmo da multidão, para que ela me leve mais perto. Tento engrandecer o momento, fazê-lo soar mais real. Caio e levanto, me esmago por entre os acordes, mas ainda não é o suficiente. Tento sorrir, mas os lábios continuam separados…

Então você me encontra no meio, me segura e sorri para mim. O mundo gira de novo e você me lembra do caos existente: as cartas não enviadas, as fotografias espalhadas, as malas prontas, as garrafas quebradas, o desânimo e a realidade…

Você me beija e sussurra ao mesmo tempo: O fim é sempre o fim.

O frio da primavera fez sua última vítima…

Era uma manhã fria de primavera. O vento gelado o acordou e fitou a penumbra do quarto, que ganhava as cores do dia que começava a surgir e o atropelava com seus pontos cruciais…

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Apenas um passo desconhecido transforma…

Os toques foram frios no corredor de lamentações. Embriaguez, lamúrias e aflições tingiam o povoado local de um tom rubro, acre e indefinido…

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Em um ritmo tão intenso quanto o silêncio…

As conversas se soltam pela mesma abertura de antes, mas marcham em um ritmo tão frenético que não ganham cadência e se perdem depois das primeiras falas…

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A inocência infantil ensinou o velho…

As folhas caem e encontram no chão impessoal seu refúgio final de vida. Dançaram sempre ao sabor de um vento irracional e temporal que não avisava o seu curso nem a sua frequência…

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Antes que seja tarde…

Deixe a menina colocar a mesa para o café, enquanto você assiste aos vidros quebrados na noite passada, com a insanidade realizada…

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Das pétalas que ficaram pelo caminho…

Ela me olhou nos olhos e perguntou se podia me beijar. Uma pergunta estranha, com certa inocência e solta como uma ponta de nó infantil…

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Um dia teríamos nossas ilhas diferentes…

Algumas noites seu perfume vem me relembrar de tudo o que passamos…

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Precisei abstrair para você reaparecer…

Como uma nebulosa densa de indecifráveis caminhos, perambulante pêndulo que sempre tenta desenhar uma escapada redundante e cíclica…

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