A distorção que uniu os corpos separou os desejos e a racionalidade. O refrão chegou forte e encantou, mas os lábios permaneciam separados…
Eu queria o seu grito mais profundo e sincero, mas não posso me responsabilizar pelo resultado de toda a confusão criada. Talvez a gente pule junto, você puxe meu cabelo e eu segure sua cintura com força, em um beijo que será de virada de página. Seria um convite, mas o desejo é recíproco? Os lábios continuam separados…
Eu começo a enlouquecer e sou obrigado a seguir o ritmo da multidão, para que ela me leve mais perto. Tento engrandecer o momento, fazê-lo soar mais real. Caio e levanto, me esmago por entre os acordes, mas ainda não é o suficiente. Tento sorrir, mas os lábios continuam separados…
Então você me encontra no meio, me segura e sorri para mim. O mundo gira de novo e você me lembra do caos existente: as cartas não enviadas, as fotografias espalhadas, as malas prontas, as garrafas quebradas, o desânimo e a realidade…
Você me beija e sussurra ao mesmo tempo: O fim é sempre o fim.
Era uma manhã fria de primavera. O vento gelado o acordou e fitou a penumbra do quarto, que ganhava as cores do dia que começava a surgir e o atropelava com seus pontos cruciais…
Os toques foram frios no corredor de lamentações. Embriaguez, lamúrias e aflições tingiam o povoado local de um tom rubro, acre e indefinido…
As conversas se soltam pela mesma abertura de antes, mas marcham em um ritmo tão frenético que não ganham cadência e se perdem depois das primeiras falas…
As folhas caem e encontram no chão impessoal seu refúgio final de vida. Dançaram sempre ao sabor de um vento irracional e temporal que não avisava o seu curso nem a sua frequência…
Deixe a menina colocar a mesa para o café, enquanto você assiste aos vidros quebrados na noite passada, com a insanidade realizada…
Ela me olhou nos olhos e perguntou se podia me beijar. Uma pergunta estranha, com certa inocência e solta como uma ponta de nó infantil…
Algumas noites seu perfume vem me relembrar de tudo o que passamos…
Como uma nebulosa densa de indecifráveis caminhos, perambulante pêndulo que sempre tenta desenhar uma escapada redundante e cíclica…