As folhas caem e encontram no chão impessoal seu refúgio final de vida. Dançaram sempre ao sabor de um vento irracional e temporal que não avisava o seu curso nem a sua frequência…
Deixe a menina colocar a mesa para o café, enquanto você assiste aos vidros quebrados na noite passada, com a insanidade realizada…
Ela me olhou nos olhos e perguntou se podia me beijar. Uma pergunta estranha, com certa inocência e solta como uma ponta de nó infantil…
Algumas noites seu perfume vem me relembrar de tudo o que passamos…
Como uma nebulosa densa de indecifráveis caminhos, perambulante pêndulo que sempre tenta desenhar uma escapada redundante e cíclica…
São as cores que provam o daltonismo, mas confundem os desavisados. São bichos peçonhentos enjaulados, dos quais curadores reclamam por seus presságios…
O alinhamento se inclina, e o que era inteiro começa a rachar. Há luz e trevas, com um clarão sobre algo que já se apagava havia muito tempo…
Houve um tempo em que mandar uma carta trazia alegria…
Os dedos tentam pintar o silêncio que habita nos ossos. Na prisão de vidro, há o eco de um suspiro — nem bravo, nem manso, apenas uma promessa não cumprida…