Algumas noites seu perfume vem me relembrar de tudo o que passamos…
Como uma nebulosa densa de indecifráveis caminhos, perambulante pêndulo que sempre tenta desenhar uma escapada redundante e cíclica…
São as cores que provam o daltonismo, mas confundem os desavisados. São bichos peçonhentos enjaulados, dos quais curadores reclamam por seus presságios…
O alinhamento se inclina, e o que era inteiro começa a rachar. Há luz e trevas, com um clarão sobre algo que já se apagava havia muito tempo…
Houve um tempo em que mandar uma carta trazia alegria…
Os dedos tentam pintar o silêncio que habita nos ossos. Na prisão de vidro, há o eco de um suspiro — nem bravo, nem manso, apenas uma promessa não cumprida…
E gritamos por nossas orações, mas não movemos uma agulha do palheiro que somos. Queremos salvação, mas nos traímos e barganhamos o melhor preço até extorquir o nosso próprio futuro…
A primavera deixou reflexos que antes passavam despercebidos. São pequenos espelhos espalhados no ambiente — e eles fazem o sol de veraneio arder mais fundo, mais cruel…
Estamos doentes aqui, cercados por perguntas que giram em círculos, enquanto as respostas escorregam pelos dedos como areia molhada…