O primeiro passo se deu no automático. Era uma época diferente e angustiante demais para suportar as diferenças…
Se ele fosse sincero, diria que sorriu por educação e um pouco preocupado com sua aflição. Há anos eles estavam mais próximos e ainda conseguia se lembrar o dia que a conheceu, que seu amigo a levou no churrasco de aniversário. Todos esses anos se divertiram como bons companheiros e colegas de uma mesma roda de amigos, com barreiras e limites invisíveis, mas presentes…
Se ela fosse sincera, diria que desde sempre se hipnotizava com o seu sorriso e sua gargalhada. Muitas vezes ela não entendia a razão, mas se via rindo solta apenas com o ritmo que ele fazia ao ambiente. Era comum o encontro de todos os amigos e amigas nas sextas-feiras à noite e, durante um tempo, ela contava os dias para ouvir aquela risada e se hipnotizar com o jeito que ele sorria. Ela já não se lembrava quando foi a primeira vez que acordou no sábado e sentiu falta dele – e claro que isso ficou um pouco mais intenso nos últimos meses.
Era um ano e momento atípico para o mundo todo. Parecia que o mundo havia enlouquecido e a sanidade tirou férias ou sofreu um acidente que deixou tudo mais complexo. Ela estava aflita com seu emprego e momento e resolveu desabafar com seu namorado. Ele fez pouco da sua situação, pois sua área estava normal e achava que tudo isso mais uma “histeria sem sentido”. Ela se sentiu sem um apoio e durante o encontro semanal ele percebeu que ela estava um pouco aflita.
Se esconderam com o barulho da banda e das outras conversas e ela fez um mini desabafo da situação toda. Ele a ouvia quase sem piscar e ficou um pouco incomodado do seu amigo, noivo dela, não dar o apoio necessário para aquela simples e “frágil” situação. Sua esposa tinha passado pela mesma situação, mas foi fácil resolver.
Trocaram mais algumas palavras e ele começou a enviar mensagens diárias para saber como ela estava. Talvez naquele momento era o pretexto certo para um desejo oculto seu, mas ele juraria que até esse “início privado”, não havia malícia ou segundas intenções.
Foi ela que soltou uma primeira piada e abriu uma brecha para falarem sobre coisas mais pessoais e picantes. Nesse momento ela já nutria um certo desejo e queria saber qual seria a sua reação. Foi respondida e daí, o caminho era um pouco sem fim…
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