Como desvendar os sinais da mulher que você sabe ser a certa e que pode escapar assim que o vento bater para novos horizontes?

Este conto é uma releitura do primeiro texto deste blog e, perdoe-me a redundância aqui, mas creio ser importante rever os pontos ainda vivos nos dias atuais, mais de cinco anos depois de escrever aquele texto.

É uma introspecção que fica confusa na razão de ter existido. Ainda lembro daquele olhar que me pedia mais do que eu conseguia entender. Ainda lembro da forma que ela acordava pronta e perfeita. Ainda lembro de como ela confessava nossas loucuras de uma forma branda demais para sentir culpa ou peso.

Eu ainda luto com as sensações vividas e derivadas das doses alcoólicas que nosso relacionamento sempre tomou. Fomos insanos nesse ponto e creio que seja um ponto importante para ressaltar. Ela foi minha fuga e eu o seu refúgio. Ambos do mesmo signo e ascendente, o que na teoria desafiava o maior dos otimistas. Não daria certo, mas foi delicioso. Foi divertido. Teve toda uma inocência, teve um amor tão frágil, quanto infinito. Teve um toque de absurdo, ao mesmo tempo que eu me perdia cada vez que ela sorria. É cliché demais, mas aquele maldito sorriso com um brilho no olhar, a jogada de cabelo e olhar dela de desejo, me deixavam sem nenhum ar para respirar.

Mesmo depois de ter acabado e termos voltado, para desespero de um tanto de gente, eu queria mais daquilo. Era muito bom para acabar não dando certo. E os dois sabiam, que iríamos até além do limite. Se desse certo, a família ia começar ali. Se desse errado, o silêncio e a indiferença sobressairiam. Eu estou solteiro e vivo, logo já dá para entender qual lado venceu, certo?

Ela foi minha fuga, mas não de segredos ou de uma vida dolorida. Ela era minha fuga, pois com ela eu esquecia do chão e sempre me sentia vivo quando ia embora. Não era uma fuga que deixava mal, sabe? Ela tinha o dom de vir, bagunçar a vida toda, fazer rir e ir embora sem uma marca sequer. Sem um machucado. Por isso que foi viciante. Talvez ei tenha sido a fuga dela. A fuga de alguém de fora daquela realidade toda e que fosse tão surreal, que ela pudesse brincar sem se sentir usada. E fomos assim…

A poesia que terminei aquele conto, fez sentido em uma noite que ela abriu o jogo e disse que não queria mais nada. Mas quis o destino que ela não desistisse de nos vermos. De bebermos juntos. De nos beijarmos e de sentirmos todos os prazeres daquela nossa fuga. Daquele jeito de nos relacionarmos que parecia (e era) absurdamente errado.

E para continuar com o cliché, eu a quis, quando ela não queria. Ela me quis, quando eu não queria. E assim vivemos e levamos isso tudo ao limite. Aqui eu me repito, porque é a maior verdade que restou desse tempo…

Fisicamente apaguei as luzes daquilo, mas ainda continuava pensando naquele sabor que nunca mais experimentei. Sonhando com as curvas do colo ao despertar, sonhando com uma possibilidade simples de vê-la acordar. É bem esdrúxulo, mas eu apenas queria acordar com ela. Eu queria jogá-la na piscina em um dia de verão. Queria acender o aquecedor no frio e queria terminar uma garrafa de vodka inteira vendo o sol novamente nascer enquanto a via sorrir. Só isso.

E ainda lembro, perfeitamente, de quando o tempo parou pela primeira vez. O domingo de manhã de julho, por volta das 9h30, quando eu a levei no carro e ela sorriu com sono pela primeira vez, e me beijou. Foi ali, naquele momento banal, que tudo isso começou…