A cor que entrava pela janela transbordava a verdade da estação. Era a súplica da aquarela que tomava corpo por ali…

Ela se deixou levar pelas cores ardentes e seduções baratas de mentiras prontas. Sabia as dores do passado, mas fixou sua força nas cores e foi hipnotizada facilmente quando o amarelo se mesclou com as outras cores e inundou tudo em uma contemplação barata e fútil do Sol. Era ali, naquele momento que tudo iria mudar e ela se perderia…

Poetizou um amor colorido demais para encaixar nas suas roupas. Culpou o peso, improvisou dieta, se iludiu com a caixa da comida pronta e embarcou sem pensar duas vezes. Pelo menos teria o amor, foi o que ela pensou… Mas nunca foi real. Era apenas uma fantasia criada para se aproveitarem da ingenuidade e falta de malícia. Era apenas uma mentira astronômica para ela ir além e ser o motivo das risadas maldosas que ela não ouvia pelas costas…

A ironia de tudo, até do título daqui, é que as cores pintaram um quadro negro depressivo e angustiante. E realmente, por muitas vezes, cores demais pode ser algo fatal…