O copo se quebrou pela fragilidade do momento. Foi um trinco que partiu metade de um coração já marcado e cansado…
A boa sanidade dizia que devia ter parado na primeira garrafa. Era demais continuar durante aquele inverno quente que não chovia e não se fazia terminar. O copo se rebelou e partiu, porque parecia se livrar daquela vida injusta em ser suporte de um bêbado sem limite e futuro. Aquele momento foi a personificação clara do que prefere partir a servir de parte nessa tragédia anunciada.
O sangue jorrou pelo corte do vidro. Tardou como cinco segundos a reação básica em tentar fechar o corte com a mão, enquanto o jato de água lavava mais da metade da vida momentânea. Era um caos entre sabão, vermelho e o ardido de um corte fino e profundo.
Ele prometeu parar de beber logo depois. Tomou quase a garrafa de água completa, comeu um chocolate perdido na gaveta e se sentou no sofá brindando mentalmente sua derrota social. Ali, sozinho no escuro e ainda sentindo o latejar da mão recém cortada, recitou palavras e orações sem sentido. Despertou com o celular quase descarregado ao lado e descobriu que dormiu no sofá, olhando para um vazio completo e se arrependeu da última garrafa que abriu…
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