São explosões como as dos fogos de fins de ano. Celebrando um momento ou apenas o alívio de uma paz que custou em dar as caras…

Ele já se cansava das companhias e da rotina da vida. Sua companhia era uma garrafa de vodka que cambaleava para a troca assim que a última gota era servida. Os sonhos eram acordados e ele dormia cada vez mais desperto. As trocas eram intensas e a confusão parte da sua vestimenta diária. Os olhos carregados, o passo cada vez mais incerto e as respiradas profundas dadas, quando tinha que dobrar uma esquina a mais para voltar ao seu caminho. O trabalho acumulava, as horas se arrastavam e o peso na balança moral já tinha explodido…

Restavam suas tardes contemplando o cimento frio dos prédios que o sufocavam. Restavam os ruídos de uma obra eterna que ele sonhava ser parte do planejamento. Restavam os pontos soltos que tremiam o chão cada vez que eram mencionados em seus pensamentos…

Restava muita coisa ao seu redor, mas sobrava ele – Largado ao seu jeito e sonhando com uma escapada. Quando a sua realidade era abrir outra garrafa e se preparar para mais um sonho…