Ela gostava de sentar-se em sua pequena varanda no fim da tarde. Era o momento que o sol batia e iluminava suas ansiedades…
Ela postava o seu melhor sorriso e ficava ali – acompanhando um vaivém frenético de pessoas, buzinas e caos – que tanto parecia com seus pensamentos desordenados, que a acalmavam naqueles momentos. Ela ficava ali. Imóvel. Saboreando ser parte daquele caos, mas como se sua varanda a protegesse de maiores intempéries. Seus olhos acompanhavam passantes em todas as direções e ela ficava ali observando, praticamente incógnita, e tentando imaginar as outras tormentas escondidas.
Criava seus roteiros mentais e se alegrava quando algo parecia condizer com a “realidade criada por ela” nos rostos e passos daqueles anônimos, que iam e vinham em frente de sua varanda. Seus olhos buscavam um gesto mais tenso. Um fragmento de leveza. Uma felicidade aparente. Um desejo escondido. E ali, ela ia tecendo mais histórias e se cativando com partes daquele caos que alivia suas próprias tensões…
Era sua melhor terapia. A única que poderia pagar. E sem faltar, bendizia a todos e rezava por outras tardes ensolaradas, para que ela pudesse sorrir e fugir um pouco do próprio caos que já estava descontrolado…
Conte-me algo aqui...