Por que se despedir se a vida nunca é um ponto final e sim uma leve pausa para uma nova história? Para que se criar uma festa quando o motivo é partir para longe?

Pedidos perdidos, planos que não saem do papel, promessas que se perdem na velocidade que foram feitas – rápidas e sem pensar se poderiam realmente acontecer. Os acasos de sempre, o tempo de menos, as dúvidas ao monte e o medo que se cria do novo destino. Elementos que flutuam em um curto espaço de tempo e que extrapolam os sentidos, afinidades e carinhos. De um lado um alívio por partir e ver seus planos se concretizarem. Do outro a tristeza de deixar para trás não só a rotina segura, como também os passos e pessoas que conviveram neste período.

Diálogos passam pela cabeça como um filme repetido, mas ganham um nível de drama que não existiam anteriormente. A última foto, o esvaziar necessário de tudo – da mesa, do quarto, da casa, da vida dali, da sua parte que habitou e habitará sempre ali, através das memórias, traiçoeiras e talvez sufocantes. Um último olhar e deixar tudo para trás, rumo ao desconhecido da vida que nunca se sabe se criará novos caminhos para voltar ou sepultará para sempre aquele ponto ali na sua história…