Foi como ela queria. Na verdade, foi como ela sempre imaginou. O convite desfeito que se transformou em um novo caminho para seguir…

Ela estava cansada e perdida. Sem uma razão definida para existir, mas tentando se prender em falsas políticas e promessas de vida melhor. Ela estava um tanto solitária, mas tentava disfarçar com o seu sorriso e suas aventuras aqui e acolá – Era um tanto quanto forçado, mas ela fazia apenas para se sentir viva. Queria sentir aquela inveja dos outros, então vivia por fotos e poses, por frases de efeito e diferentes comparações.

Por trás, o inevitável – a cama sempre fria, a angústia dos fracassos, as poucas verdades que soltava em uma conversa inocente e que ela sabia que nunca iriam ecoar. Era como se confessar para a parede do antigo hotel que nunca iria voltar…

Ela sorria, mesmo depois do terceiro convite recusado. Queria sentir a presença de alguém mais, algo para que pudesse conversar com suas outras amigas ou apenas lembrar que ainda era desejada. No escuro do seu quarto e no frio da sua cama, chorava… Em silêncio mórbido, mas chorava. Perdeu a conta das noites que pegou no sono, fraca demais das horas chorando.

No meio dessa enxurrada toda, ela resolveu mais uma vez mudar de ares. Buscou uma outra visão, um novo ângulo para a rotina tão vazia quanto a sua vida real… Ali, abriu um vinho sozinha, sorriu para as novas paredes que emolduravam um novo caminho. Deixou um outro sorriso chegar – gostou da espontaneidade, da leveza e um tanto da malícia que havia por detrás de cada olhada ao seu corpo. Ela resolveu não resistir aos esbarrões sem querer e começou a se acostumar com mais vinho.

No meio disso tudo, um beijo aconteceu. Quente, perigoso, urgente, sedutor e mais perigoso. Deixou ser levada, rolava no chão, no lençol, agarrava os cabelos, revirava os travesseiros e acordava ofegante por mais. Viciava-se nas histórias mirabolantes e sabia que estava criando mais um capítulo intenso, finito e perigoso. O problema era que ela encontrou o que queria, o que buscava…

“Sabe que é difícil ser rejeitada. A mente se encolhe, o corpo anseia, a mente se confunde e os olhos mareiam por uma resposta. Como se fosse um rumo, nessa combustão toda…” sussurrou ela enquanto ele dormia levemente ao seu lado. Ela se serviu de mais uma taça – não importava mais a hora, porque agora ela havia criado uma nova realidade e descoberto o sabor das coisas reais – sem fotos, histórias mirabolantes ou poesia barata. Agora ela ofegava para se acostumar ao novo ritmo. Agora ela suava porque era necessário. Agora ela sentia novas dores, mas que a relaxavam de maneira surpreendente. Agora ela vivia de verdade… Pode ser uma coisa simples e banal, mas depois de anos com a aflição como companheira, viver era o melhor presente e o melhor destino que ela poderia desejar.