As folhas caem como sempre fizeram nessa época do ano. O ar é mais frio, cortante em certos momentos, mas ainda assim melhor do que antes…

Hoje é um dia do mesmo. Mais um da rotina ordinária e urbana que sempre me embrulhou e protegeu. Muitos enlouqueceram, outros encontraram seus mantras, fugas, ilusões e outros sufocaram ao fim da página. Eu não. Me mantive, sem saber muito bem porquê, entre os que caminham na normalidade errante de ser mais um na multidão. Há erros? Muitos. Há acertos? Também. A equação nunca é exata, por mais que a matemática force a ser, mas ela varia entre uma linha tênue dessa situação ser amiga e inimiga.

Muitas vezes agradecemos, outras choramos. Muitas vezes rimos da tranquilidade, outras gritamos apavorados de uma vida sem significado. Algumas vezes aceitamos, muitas outras nos culpamos. Algumas vezes seguimos adiante, muitas outras estamos enjaulados.

Patinamos nas folhas caídas e nos equilibramos em alguma brisa que nos enche de esperança. Nos protegemos o máximo possível, mesmo sabendo que já nos acostumamos com o frio. Nos escondemos entre camadas de roupas, enquanto rezamos para o verão chegar – ou mesmo a bem-vinda primavera. Começamos a fazer uma tonta e inútil regressiva – que não fará o tempo passar mais rápido, mas inconscientemente encurtamos esse bendito tempo.

E assim continuamos. Nos enganando, tentando burlar uma mentalidade já fadada ao fracasso e cada vez mais enraizada nessa rotina cotidiana. Por agora, estamos bem, mas sabemos que viraremos a esquina e muito em breve o ciclo todo reiniciará mais uma vez…