E era madrugada limpa e deriva…

O vinho, o conhaque… O álcool corria em minhas veias

Rápido, quente e alegre como nunca.

Meu peito ardia de uma brancura linda

E gritei, dos meus pulmões cheios, a rima mais redonda

A lira mais bela escrita. A lira do amor.

E cantei pra lua, cantei para as estrelas

Cantei pra donzela tão linda quanto uma sereia.

Toda alegria colorida que sentia correr

E cantei na madrugada inteira, na noite das ilusões

Cantei nos teatros. Cantei nos porões.

Cantei para os desiludidos de coração…

As lágrimas desciam dos meus olhos

Brilhantes e atordoados

E cantei em plena manhã de sol

Cantei no acordar dos pássaros e dos guardas

Despertei cantando a mais bela das belas.

Ela, assustada com meu amor contagiante, só pode me beijar

Nossas bocas unidas pelo sentimento e ela fez me acompanhar

Além do céu. Além do mar. Além do ar.

E juntos andamos e amamos nossa paixão

Corremos o mundo no nosso coração

E espalhamos pelos sonhos do sono

A lira do nosso amor platônico.