Não tenho uma foto para lembrar da gente. Sua imagem é um borrão de lembrança em um dia de neblina forte e impossível de definir…

Não consigo mais definir seu perfume, mesmo sendo ele a sua marca mais forte em minha vida. Lembro que me embalava o sono, nos dias após sua visita. Lembro que era o que senti mais falta quando você não voltou. Tento em vão lembrar da forma exata, mas tudo se perde quando viro a esquina e lembro de outros tantos que provei nessa vida de andanças…

Não consigo mais lembrar de como era a sua voz. Do tom da sua risada e de como ela era tão intensa mesmo abafada pelo prazer. Tento relembrar dessas melodias, mas tudo se perde no silêncio e solidão da vida de agora…

E não consigo ainda entender sua partida. Pois não fizemos promessas e nem juras eternas, mas você disse que ficaria aqui até o frio acabar para que pudéssemos viver o verão prometido e desenhado nessas paredes desbotadas, as únicas testemunhas da nossa relação…