Não existe culpado ou razões para essa mudança. O que antes era intocável e digno de aplausos, hoje ganha contorno de tristezas por vermos que seremos iguais aos que criticamos anos atrás…
Cedo ou tarde ela chegaria e traria fantasmas nunca existentes por aqui, pois em algum momento deixamos de andar na mesma linha e até na mesma direção. Foi um choque ver que isso chegou, mas o pior foi que talvez tudo isso já estivesse lá, fixado com raízes fortes, mas estava cego para visualizar todo o enredo. Não somos mais os mesmos…
A nossa vida sempre foi de distâncias, mas isso nunca quis dizer que éramos diferentes. Tomamos jeitos diferentes, mas estávamos caminhando para o mesmo lugar e as nossas conversas tinham o sentido de construir e retificar os nossos ideais e objetivos. Era uma dose cavalar que eu me sentia bem em falar “mudamos, mas o fim sempre será o mesmo”. Agora não. Em algum momento, mudamos totalmente. Em algum momento, tal coisa ficou mais importante. Em algum momento, criamos um caminho tortuoso para tentar chegar ao mesmo lugar, mas isso nos distanciou ainda mais. No lugar das conversas construtivas e cheias de energia, um bando de diálogo vago e piadas mal contadas para aliviar a tensão. Nos transformamos na superficialidade que passamos décadas lutando contra. Somos hoje, o que antes debochávamos e prometemos que nunca chegaríamos a tal situação.
Certa vez na rua, uma pessoa me colocou a frase na cabeça: “Votos são fortes e promessas são compromissos. Promessas sempre se enfraquecem e morrem no virar da esquina”. Aquela frase, solta, diga pelo excesso de álcool, nunca tinha feito sentido, mas quis o destino que eu guardasse e ela veio me atormentar agora, que enxerguei que viramos a esquina e as nossas promessas fluíram para um lugar desconhecido. Não estou elegendo um culpado, mas o fato é que hoje a amizade se sustenta pelo passado e não mais pelo o que o presente representa. O fato é que o passado será esquecido e o presente, que nada constrói, será o passado no futuro e pode ser que nada sustente mais.
Me dói sempre pensar em última vez, para algo que nunca havia me preparado. Mas hoje vejo que o caminho das índias faz que me vire para o lado totalmente oposto e fuja daquilo que sempre foi minha rotina. Cedo ou tarde, alguém irá falar o óbvio e talvez, por defesa própria, eu vou estar em outro caminho e a nossa amizade será uma lembrança solta que vem me saborear como um gole de vinho, fazendo-me pensar como estão e que fim levou tal pessoa. E meu companheiro de resposta, será meu maior pesadelo, um sorriso amarelo desgastado por ver que tudo ruiu e nada sobrou daquilo que um dia foi minha base….
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