De uma noite regada ao álcool surgiu a ideia perfeita de poesia…

Recitar antigas líricas, corrigir sonetos inacabados, fazer girar as redondilhas menores e rimas desfeitas pelo vento…

Foi essa a ideia de contar o amor pela visão noturna perdida, pela visão do caótico e do inesperado. Uma poesia que flui ao fazer as práticas diárias, uma lira que canta inteira nos raios do mesmo… Esta é a poesia! Uma poesia que não é capaz de ser escrita, de ser descrita ou de ser manuseada… Nunca foi! Trovadores tentaram, ao sabor do desconhecido, recitar versos escolhidos para uma amada que nunca existiu ou sequer resistiu ao olhar…

Românticos desvairados eternizaram figuras que só apareceram em seus sonhos. Os modernos jogaram em algum lugar-comum para dar vida aos personagens que não damos atenção. Os contemporâneos estão perdidos entre o folclórico e o imaginário da magia…

Todos tentaram descrever o sentimento mais puro e simples. O sentimento que pode ser capaz de mover obstáculos só pela sua existência. O sentimento simples que me faz guiar em perigo pelas estradas sem-fim… A resposta é a lira do vento, a perfeição do silêncio obscuro, a falta de imagem em uma cena vazia, a presença secreta que jamais é anunciada…

Eles tentaram descrever o impossível. Porque em suas vidas era impossível amar.