Ela acendeu as luzes no piscar dos olhos matinais. Ela preencheu o ambiente com um perfume tão natural quanto exótico. Ela quis saber seu nome, apenas para admirar a pronuncia…

De uma tarde de obrigações banais, um gole a mais foi dado na curiosidade estática dos afazeres. O sotaque denunciava mais que pudessem esconder entre os jogos e gestos educadamente postulados para o ambiente. Mas alguma faísca brilhou na risada fora de tom e acabou limpando toda a neblina que pairava no interior do seu corpo. Ela achou engraçado o jeito que ele contava uma mesma história repetidas vezes. Ela achou interessante a maneira que ele brilhava com seus olhos estranhamente claros. Ela, que fazia seus cálculos reservadamente, reviu todo seu cálculo previamente definido e encontrou um resultado diferente – mais para o lado alegre do que para o perigoso em questão…

Bailaram entre gestos que podiam completar uma cena de novela banal. Mas no final pode entender que mesmo que os anos passassem rápido demais, as loucuras cometidas na adolescência ainda estavam vivas em seus passos adultos. Ele a puxou no final e a guiou para as escadas. Ali, na escuridão que os sensores permitiam, os seus olhos brilhavam de um desejo comum e um fogo que tardaria muito para se apagar. Riram mais do que se descobriram, mas começaram uma nova vida. Uma vida secreta. Uma vida quente. Uma vida diferente – e isso bastava…