Ele fazia sempre a metáfora que sua vida era como as fases de lua e mar. A eterna ida e vinda entre altos e baixos…

Tudo era um ciclo interminável entre encontrar esperanças, traçar caminhos, desfrutar de todos os inícios e assistir a destruição de todas as suas fichas, seus planos e conquistas no capítulo seguinte – que muitas vezes vinha de golpe e rápido demais para prever.

Era como a caminhada que fazia na praia de sua cidade natal, mas ficando preso no momento de virada da maré e tentando salvar as poucas partes secas de um plano que facilmente se dissolvia em contato com a água.

Ao invés da alegria e relaxamento de uma descida, com o vento refrescando o corpo quente do verão, a angústia de uma queda livre em direção à um desconhecido tão palpável, que poderia chamar de rotineiro.

Mesmo que ele conhecesse todas essas nuances de altos e baixos, a surpresa sempre era a primeira a surgir em sua mente. Sonhava com uma vida calma e mansa que tanto via ao seu redor, mas seus passos foram feitos para chamar redemoinhos que destruíam todas as pontes e chances que sua vida batalhava para construir…