Era uma caixa sem vida. Como se o verso tivesse sido cortado no meio e retirado da sua rima inicial…

Sabe o sentimento de algo incompleto? Entende quando falta algo para ter sentido? Melhor, sabe a sensação de ter esse sentido, mas de repente, a vida ou algo que desconhecemos, retira tudo o que estava em perfeita harmonia, e deixa tudo assim… Meio morto, mas vivo. Respirando, mas sem objetivo?

Foi mais ou menos assim que aconteceu. Uma manhã acordei e tudo havia mudado. Como se eu tivesse ficado tempo demais no hospital e o mundo mudou sem aviso. Hora dessas, eu dormi em uma poesia e acordei no caos indefectível da solidão. O telefone parou de tocar e mais ninguém perguntou como estava o tempo ou se as vitórias faziam falta…

Ninguém mais veio contar as anedotas do mundo ou simplesmente checar se havia outra novidade alcoólica para a diversão das noites seguintes. Tudo acabou, do nada. Simples assim. E daí, o capítulo se fechou, com o livro inacabado a ser lançado na próxima estação…