Quem a via pela rua, mal suspeitava a bagunça que se encontrava e vivia – tanto pessoal, quanto emocional…
Ela vivia entre uma gangorra de emoções – hora estava sorrindo e se divertindo, conquistando importantes objetivos e evoluindo em boa velocidade. Porém, tudo desmoronava completamente na próxima esquina da vida – chorava diariamente, via seus sonhos despedaçados, ignorava promessas e entrava em uma pseudo depressão que nunca sabia explicar os reais motivos.
O seu quarto-mundo era um retrato dessa vida. Poucos conheciam, menos ainda conseguiam interpretá-lo corretamente. Ali tinha de tudo um pouco, mas sem ter o suficiente. Faltava uma organização ou ordem básica. Algo que se pudesse enxergar como genuíno ou até mesmo como uma fortaleza, onde pudesse se proteger dos dias cinzas e recuperar as energias perdidas nas batalhas diárias. Deveria ser um lugar revigorante, mas nada existia de profundo por ali. Sobravam objetos materiais inúteis, colecionados ou comprados com uma impulsividade assustadora, mas que no final pouco ajudavam em seu planejamento. Eram inutilidades que tiravam a pouca energia que existia por ali. Faltava o mínimo espaço para se mexer e enxergar como sua vida caminhava sem sentido…
Olhava ao redor e a inveja queimava dentro de si, vendo todos os seus poucos amigos evoluindo e ela patinando no mesmo lugar. Por mais esforço que fizesse, a vida continuava a mesma roda gigante sem emoção, com seus altos e baixos, mas sempre no mesmo lugar. Nas conversas além, mentia. Mentia sobre seus objetivos. Mentia sobre suas conquistas. Mentia sobre seus sonhos. Mentia sobre seus planos. Essa era a sua fuga simples… Mentir!
Em uma conversa de poucos minutos, ninguém percebia. Ela transparecia uma tranquilidade incomum, mas que por pouco mostrar seu mundo real, quase ninguém notava os pontos inexistentes de sua fala. Quando a conversa ia se aprofundando, as respostas começavam a não bater e os planos evaporavam completamente. Nesse momento, ela agia por impulso e agredia quem quer que fosse. Era o início de um fim que pouco teria volta…
Inventava desculpas vazias e ia embora para a sua velha rotina: Terminar a noite sozinha, comendo um lanche gorduroso e se trancafiando em seu quarto-mundo bagunçado. Chorando e não conseguindo compreender como tudo voltava à estaca zero. Chorava até dormir e pouco sonhava. Acordava com uma cólica que misturava a aflição da falta de rumo, com a realidade que estragava sua vida pouco a pouco. Começava atividades aleatórias para tentar fugir dos mesmos locais de sempre e poder usar as velhas mentiras para tentar se sobressair em algo. O problema era que a rotina se repetia e pouco duraria. Em menos de um mês tudo repetia.
Na sua aflição desenfreada, mal via que sua conta bancária não acompanhava seus passos e se via cada dia mais afundada em uma dívida que não sabia como pagar. O jeito era se mudar de novo, refazer seu quarto-mundo para um local pior, com mais aflições e esperando uma reviravolta divina para que todos os seus sonhos se realizassem.
“Quais são seus sonhos, afinal?” perguntou o rapaz que havia se interessado por ela naquela sexta-feira à noite. Ela sorriu, tomou um gole de uma bebida que nem sabia porque havia pedido e disse: “Muitos e que não vou compartilhar com quem não conheço.”
Ela era assim. Agressiva e mal conseguia enxergar que, depois de tanto patinar e se frustrar, ela não sabia mais quais eram seus sonhos e objetivos. Ela estava completamente perdida nessa vida de mentiras e de falsa alegria que criou…
Conte-me algo aqui...