Eu escrevi para você depois dos 50 dias do nosso último momento. Hoje já são 400…

Ainda lembro do frio do dia. As insanidades postas na mesa de vidro que eu nunca tinha visto e a noite mal dormida, onde você queria gritar coisas e eu apenas ignorar essa última briga. Se soubesse que seria a última, a gente ia discutir mais ali e eu perderia meu voo.

Ainda lembro de como a gente começou, terminou, começou, terminou de novo e começou como se fosse para sempre, acabando assim que outra tempestade chegou. Mesmo assim, eu ainda lembro de como você suspirava no primeiro beijo. Acho que você fez isso também depois, pois era um alívio seguir a vida. E nem sei se continua fazendo. Nunca descobri qual era o seu melhor jeito – a lista sempre teve uns cinco ou seis itens…

Primeiro, a falta era física. Depois passou a ser pessoal – pois o silêncio longo sempre foi algo que nunca me acostumei. Gosto dele, mas não para sempre. Agora a falta é apenas para saber se você está bem. Se as aflições passaram e os sonhos e objetivos de antes ainda existem ou foram queimados junto com o meu nome… Acho que você ainda lembra meu nome, mas 400 dias apagam várias marcas e lembranças – ainda mais para quem nunca gostou de lembrar.

Perdi os desejos de antes. Hoje não quero mais nada que falei, pois fui perdendo-os nas noites em que bebi mais que devia e derramei-os ao além, acordando no dia seguinte sem saber exatamente o que havia acontecido…

Antes era divertido, mas agora foi o jeito que encontrei para me curar dessa avalanche toda…