Havia naquele momento uma delicadeza fora de contexto. Quase que um combustível a ponto de combustão, mas para um lado que fosse controlável…
Era até certo ponto inconsciente como eles se olhavam no fim de tarde. O calor já havia dourado a pele dele que brincava com a diferença de coloração, criando um pretexto para explorar melhor o corpo dela. Era suave e havia certo perfume floral, que ele nunca conseguia adivinhar. Os pensamentos viajavam entre proposições e análises dos próximos passos, enquanto tentava sorrir sem demonstrar o medo que havia no seu inconsciente…
Ela ainda não havia entendido todo o cenário, mas se entregava as investidas e achava graça quando ele criava as desculpas esfarrapadas que a fazia sorrir mais. Ele tinha um ponto de atração segura, como um alento de paz no meio do vendaval que o mundo vivia. O corpo dele brilhava no verão e ela sabia que esse brilho demoraria ainda para ir embora, como ela também…
Caminharam até as pedras que ficavam no final daquela praia. Ele a ajudou descobrindo os melhores caminhos para chegar o mais próximo possível do mar e o mais longe das outras pessoas. Esperaram o sol baixar na montanha atrás enquanto respiravam o mix de ondas, da vida além, dos pássaros e dos seus próprios sorrisos…
“É como um filme de cinema, mas que eu não sei o enredo…” ela balbuciou já com os olhos fechados e esperando o beijo por vir. “Isso é até uma música, sabia? Mas de outro lugar que agora não importa.” E se beijaram de forma leve, mas intensa. Saboreando as possibilidades e desejos diversos. Era um beijo de verão afinal, mas que obviamente dizia mais do que parecia e escondia tantas outras coisas que não valia a pena pensar…
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