Encontrei as velhas lembranças, escritas nos amorosos anos passados. Lembranças que brindavam o platônico e a descoberta do mundo da liberdade…
Lendo tudo aquilo, revivi todos os momentos que, ao sabor do álcool, me levaram para os caminhos de poesia. Experimentei o extremo e brindei a boemia a cada nova manhã de recuperação. Contava as horas para a noite, onde caminhava sorridente. Dessas andanças nasceram amores e outros tantos foram revividos. Eu era livre e com combustível de vontade. Atrevia, usava, sondava e sonhava. Lembrei da escuridão, da tristeza e das noites mal dormidas. Disso, logo tratei de esquecer, pois estavam há muito enterrados.
Voltei ao hoje. Voltei ao não poder… Enclausurado na angústia e na solidão extrema. De ter o peito caloroso doendo pela falta. Estou mais vívido, mas vazio. Alegre, porém incompleto. Não sei até que ponto valeu o sacrifício da mudança, mas tenho esperança e sei que ela não vai me abandonar.
Resta apenas escrever para entender a angústia que corrói as minhas veias. Só me resta lembrar que naqueles anos eu tinha por quem cantar. Hoje nem sei mais a cor deste caminho e, pior ainda, nem sei mais como trilhar…
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