Você me convidou com o olhar para me sentar ao seu lado e contemplar o infinito do seu quarto mundo…

Tentamos contar as mesmas piadas de antes, apenas para lembrarmos a sensação que era rir de nós mesmos, de uma maneira livre de qualquer preocupação que o mundo nos impôs. “Eu queria apenas esquecer como é essa sensação de vazio aqui”, murmurou depois de alguns minutos e eu sabia que você falava com sua sombra projetada na parede nova. Você tentou disfarçar abrindo a garrafa de vinho, eu tentei continuar falando que estava bem mesmo sem saber que dia era aquele.

No terceiro gole, você me contou que aprendeu a chorar em silêncio, apenas para evitar que as pessoas te pedissem uma explicação que você não conseguiria contar. Ater a melancolia dos dias intermináveis aos suplícios imponderados daquele último verão que apenas quis viajar para se esquecer dos caminhos que construiu nos seus pés e mudando o horário do seu relógio para um novo fuso, apenas para ter a sensação que você iria iniciar tudo novamente, como uma segunda chance…

Como algo que você jamais fosse querer esquecer, mas não lembraria no dia seguinte…