Ela percorria os lábios como se buscasse as sílabas faltantes do seu soneto de súplica…
Ela desenhava as cifras que queria pagar nos sonhos criados. Ela poetizava o movimento dos carros na longa avenida e brincava que tudo poderia criar um novo natal fora de época – era muito vermelho, poucos verdes e alguns amarelos perdidos. Ela reagrupava essas cores pelo nível de urgência que regia seus lembretes e tarefas.
Ele desenhava as possibilidades de um filme que não possuía elenco e nem história. Era como uma música sem nota, mas que o refrão enche o peito pela sua volatidade. Ele ainda tentava sincronizar os passos com as cores da calçada, mas tinha medo das peças que sua mente transbordava no verão tão longo. Ele rimava mesmo sem querer e queria escrever um livro que pudesse criar um novo fim.
Eles seriam perfeitos juntos, completando-se na forma simples das suas loucuras e exageros. A risada de um ninaria o coração do outro e o amor seria constantemente alimentado. Sem agrotóxicos populares. Apenas com a pureza de existir.
Mas eles estavam longe demais. Não se conheciam. E nunca seriam capazes de trocar uma palavra além, pois a vida é perversa demais quando ela assim o deseja…
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