Era tratado como menos uma ilusão na vida. Entre tantas que já se somavam, aquela era lembrada em especial…

Havia sido intenso em todos os pontos que normalmente comentamos e confessamos para nós mesmos. Era intenso na ação de relacionamento. Era intenso na intimidade. Era intenso até nos perigos que ambos se colocavam quase que a disposição do inevitável. Foram confidentes reais – de lágrimas e sorrisos – e isso dizia muito naquele tempo de relações temporais e vazias. Talvez fosse isso que fizesse especial – as lágrimas sempre eram lembradas nos pesadelos que chegavam junto com a culpa…

Fizeram planos concretos. Com datas limitadas, com aporte financeiro e inclusive um mapa dos pontos principais para se cumprirem no decorrer dos próximos anos. ANOS! Nunca tinham ido além de meses e agora já planejavam onde estariam no próximo ano bissexto. Talvez fosse essa matemática larga e aparentemente infinita que fizesse especial – já haviam passado dois anos bissextos desde então sem nenhuma notícia…

E de repente a chama se apagou. Nenhum dos dois saberia dizer o porquê, mas havia acabado. Seguiram suas vidas, com destinos diferentes e sem nenhum outro ponto em comum. Estavam felizes, mas sempre havia aquele dia entediado que um deles lembrava de todo o entorno e ficava matutando se valeria a pena um reencontro. Talvez precisassem de planos e intensidade de novo, mas ninguém sabia porque recomeçar tal história…

Até que um dia se reencontraram ao acaso e perceberam que ele mudou tanto e nem ela é a mesma garota de antes, que seriam mais uma ilusão na vida. E ainda bem que nada daquilo nunca foi de verdade…