Já estava sendo o habitual desse novo mundo, onde tudo acontece de maneiras, intensidades e velocidades diferentes dos habituais…
O sol apareceu sozinho no céu. Parece ter expulsado todas as nuvens que nublaram todo o mês anterior de um cinza tão incomum, quanto triste demais para aquela vizinhança. Nas primeiras horas, os mais velhos abriram um sorriso cheio de esperança, com a máxima de que o sol voltaria cedo ou tarde…
Mas, ele voltou tímido. Poucos perceberam, mas nasceu com alguns minutos de atraso e depois parecia deslocado de seu habitual reinado. Estava fraco, como se toda a batalha contra as nuvens o tivesse machucado além do previsto. Ele brilhava, mas não com a potência de antes. Uns notaram mais que os outros. Alguns até ficaram feliz apenas de vê-los, outros ficaram tenebrosos que tudo seria diferente – talvez um reflexo de todas as mudanças e novos costumes adotados…
Mas, mesmo tímido, ele se colocou no seu posto eterno. Expulsou a chuva que caiu fora de época e presenteou as seguintes semanas com a certeza que ele estaria ali – custe o que custasse…
E pouco a pouco, foi se acostumando novamente. Brilhando mais. Esquentando mais. Ficando até mais tarde no céu. Colorindo o início do dia com uma mescla única de cores. Hipnotizando a audiência com os contrastes da quase noite. Aos poucos foi se lembrando que ele era o dono do verão e estava ali para dourar as peles, esquentar os desejos e enlouquecer aquela e muitas outras vizinhanças sedentas do calor que só ele poderia fornecer…
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