Por imagens completas eu pintei seu quadro. Cada detalhe vivo, aprofundei com a mais pureza abstração, com a melhor e mais delicada seda de partir…

Trabalhei por horas no branco perfeito, na azul cor de verão, o verde de escada caracol. Achei as cores certas, fantasiadas do lugar comum despojadas e com a ironia que nunca lhe faltou. Pintei uma risada de fim, áspera e longa, como uma neve derretida. Uma combinação de verdade, como a bebida com álcool, como o gelo em copo batido. No fundo da imagem, coube o cenário de papel, daquele que se completa por estar difuso. Cheio de uma névoa carregada de dúvidas, de silêncio e de mais questões insolúveis. Carreguei muito nesta parte, fui o mais fiel possível com a precedência artística e tive sucesso. Ao contemplar a obra finalizada, pude ver sua beleza enorme, aquela que só eu consigo enxergar de você, quase se movendo em um mar de completa insanidade cerebral. Te via linda e perfeita, como nunca. Cada traço familiar transcendia desta esfera abstrata para a realidade concreta.

Como poeta que sou, batizei com meu coração e passei a chamar de “AMAR”.