Que outrora desbravaram dificuldades e novos caminhos, que foram guias em dias perdidos…
Os mesmos sapatos que conheceram pessoas de sotaques diferentes e que ouviram muitas histórias confusas. Um sapato vive o que a pessoa decide – seus caminhos e decisões, suas lutas e vitórias, seu suor e seu orgulho…
Eles foram esquecidos por muito tempo… Anos se passaram desde o último passeio. Mas, no mesmo espírito anterior, calçaram confortavelmente e se puseram a andar por terrenos onde nasceram mas, pela ironia do destino, nunca houveram caminhado. Depois de anos, os sapatos tão surrados, conheceram a cidade onde foram feitos e comprados… Onde, há anos atrás, encontrou um par de pés, tão perdidos quanto eles e venceram inúmeras lutas. Inúmeras trapaças e desconfianças…
E agora, juntos novamente, deram as memórias passadas e prometeram, pelo pouco tempo que resta dos sapatos, virar mais uma página da vida e vencer mais algumas batalhas.
E por isso que eu olhei para eles e sorri, como quem sorri para o sol após uma tormenta infinita… Pois, a página que nunca seria terminada, começou a virar…
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