A culpa nunca foi dos sons externos, mas da insônia companheira de dúvidas e aflições…
Mas com o corpo em alerta os sons ganham vida. É o estalo de uma geladeira, o vizinho fumando na sacada, a música alta demais para o horário no carro da rua. A moto acelerada e a moto elétrica que veio logo em seguida. É o elevador trazendo alguém para casa – mais de 4 horas de manhã, provando que a vida funciona para muita gente além dessa casa… Pouco depois o chuveiro ligado – me pergunto se seria da volta da balada ou do início do dia. O salto alto indicando um dia começando – seria essa pessoa do banho talvez o do banho? E o micro-ondas fazendo algo rápido…
Uma luz apaga na rua. Duas acendem. A minha continua apagada, porque ainda penso que posso dormir. O relógio marca 4h40 e finalmente meu corpo pede clemência e caio em um sono profundo e confuso que parece ser realidade – e não fantasia. O relógio me desperta 5h18. O corpo grita alto, quase que acordando todo o prédio adormecido. A insônia desaparece. As dúvidas e aflições somem. Parece que podem esperar o dia passar. E sei que no fundo elas estão felizes por destruir meu descanso enquanto pensam nas novas angústias para a próxima noite…
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