Era o meio de uma manhã qualquer em que um tapa me acordou com a voz mais metálica possível…

“Como pode você querer se apaixonar se não sabe o que quer? Como pode querer descobrir em outra pessoa o brilho indescritível, se você não consegue a mesma intensidade? Como pode poetizar algo que muda a cada verso? Como pode dizer que ama o mais verde das esmeraldas, se nunca provou a intensidade do sol ou a pureza púrpura do mais doce algodão? Como pode querer um platonismo realizado, se o muda como um remédio infantil? Acorde jovem poeta e comece a traçar uma nova forma de amar, feche seus olhos e explore os extremos que definições possam te oferecer. Invente esta nova epopeia bárbara e no final desta jornada encontrará o maior dos seus tesouros. Tenha certeza que ele será insignificante perto do que você já escreveu. Perto de tudo que você viveu, verá que não é mais que uma vírgula mal colocada na primeira página de uma enciclopédia. Se perca para a vitória, se perca para a vida e, mais firme ainda, se perca para se achar. É na solidão que encontramos a receita da eternidade. É na falta de um beijo que descobrimos seu verdadeiro sabor. É na falta de um sorriso perdido no bar que vemos a perfeição do toque lindo que os olhos desenham. A parábola não termina no vértice mais perto, ela continua e tua missão é fazer seus cálculos derivando a realidade e o concreto. Abstraia seus valores e terá um resultado exato. Comece a planejar seu próximo livro e esqueça do final, pois ele se desenhará sozinho.”

E depois disso a realidade sumiu, como todas as outras personificações existentes em meu mundo. Tirei o pó das pernas e comprei um novo caderno virgem…