A luz teima em brigar para preencher um espaço morto e esquecido. Aquele espaço fechado com uma chave perdida para sempre…

Os caminhos se encontram sem saber a razão. Cruzam-se como chuva em uma tempestade de verão. Tormenta, dolorosa, rápida e imprevisível. A diferença se atenua em um mero piscar de olhos, mas se perde por conta de um suspiro sincero. A estrada embriagada de uma aventura prometida, as mãos brincando ao sabor do vento veloz e as falsas promessas que se quebram logo na próxima curva. “Você poderia me descrever sem usar palavras?” ela me disse no meio de uma madrugada perecível. Tentei balbuciar algo, mas não poderia usar as palavras certas para isso. 

Ainda me lembro dos seus olhos brilhando de uma curiosidade quase infantil. A gargalhada pura ao ver meu esforço e ela entrelaçou as suas mãos no meu pescoço. Sem saber da nossa conversa, o som começou a descrever essa cena por uma música tão antiga que mal me lembrava, quando o beijo selou toda a descrição que poderia existir ali. A música falava de um mar tão profundo quanto àquele beijo. Terminava triste, como eu suspeitava que fosse o nosso novo possível fim. Terminamos junto com a última frase da música e ela sussurrou: Quero ser mais do que uma nuvem perdida, sabia?