A poesia deu a partida no carro e seguiu seu caminho desconhecido por entre todas as possibilidades existentes…
Ela disse que havia sido criada para enterrar suas memórias. Enterrar seus pesadelos. Enterrar as aflições que a mantinham desperta até a alvorada. Ela nasceu para gritar alto para todos os antigos amantes. Com palavras certas, com entonações fortes e fala pesada e correta. Todas as necessidades que afloravam de sua pele, ela estava pronta para ser a guia dessa revolução silenciosa e necessária…
Mas chegou um ladrão qualquer. A beijou na face e desmanchou todos os planos. Ele embelezou o palacete pútrido com suas flores e seu perfume constante e prolongado. Ele a fez parecer linda e sagrada. Perfeita para o pedestal que ele criou, pintou e bordou. Era a ilusão perfeita mais duradora que ela poderia imaginar…
A poesia ficou ali perdida, enquanto seus últimos ritos eram lidos e despedaçados justo no canto do seu olhar…
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