Eram marcas de uma noite que não deveria ter existido. Era mais fácil ignorar a chamada, o convite em cima da hora e o desejo intensificado pelo álcool…

Era já quase madrugada quando ela o chamou para sua casa. Sem um beijo inicial, sem maiores conversas profundas, sem explicações da vontade existente. Nada. Apenas conversas superficiais e piadas desconexas que introduziram e criaram o falso pretexto de uma curtição. Ele tentou respirar, mas o álcool e a facilidade do momento, falaram mais alto. Achou um taxi e pediu para que voasse para o endereço. No meio do caminho, com o trânsito intenso da noite em fim de semana, o arrependimento começou a surgir como um ponto racional no meio daquela insanidade…

Quase meia hora depois, chegou à casa dela. Ainda estavam com as mesmas roupas da festa de antes e ela bebia vodka com energético. Ele aceitou o copo oferecido, não porque precisavam de mais álcool, mas o de agora causava certo relaxamento na situação quase bizarra.

Não havia assunto. As conversas ainda eram desconexas e os primeiros minutos falaram sobre o apartamento, vizinhança e bairro. Logo que o silêncio tentou vencer a luta na falta de assunto, ele pegou no braço dela e começou um carinho para tentar encurtar um pouco a história e criarem novas conversas mais picantes.

Ela aceitou e logo se beijaram. Pouco depois, ela subiu em seu colo para que os beijos ficassem mais ardentes e ele aproveitou para desvendar mais do corpo dela. A falta de química era visível nos primeiros amassos. Ela não gostava de como ele evoluía. Ele não gostou de como ela queria. Tentaram achar um meio termo em vão. O tesão se esvaziou com essa falta de encaixe e retomaram aos beijos normais, sem os amassos que tanto buscavam.

Foram para uma segunda tentativa, com ela guiando e ele totalmente desconfortável. Ela percebeu que não havia mais tesão nenhum e o deixou guiar para tentar salvar a situação e descontente de como as coisas haviam evoluído e derretido tão rapidamente… Na terceira tentativa decidiram ceder ao automático e impessoal como eram. Fizeram um sexo estranho, rápido, doloroso e sem nenhum tesão. Nenhum dos dois chegou a gozar e terminaram apenas porque perceberam que era melhor desistir de criar algo dali.

Eram três horas da manhã e ele não conseguiria voltar para casa. Teve de dormir ali, sem querer e incomodado com a situação. Conversaram sobre as expectativas e realidade. Ela tentou explicar que aquilo poderia acontecer com qualquer um. Ele não acreditou muito que ela estava sendo sincera. No fim, ela apagou a luz e tentou dormir. Ele virou para o outro lado e teve um sono sem sonho.

Despertou duas horas depois com ela roncando ao seu lado. Se levantou, vestiu a roupa e saiu da casa dela sem se despedir. Sem a mínima vontade de voltar um outro dia. Pegou o primeiro trem do dia e escreveu para ela quando chegou em casa. Desligou o celular e dormiu, rezando para que aquela noite fosse apagada da sua vida e prometeu, como tantas outras vezes, que controlaria melhor o álcool e não se deixaria guiar por ele em outra situação parecida…